domingo, 28 de junho de 2009

tudo sobre a vida de pitty


Desde a infância em Porto Seguro que ela tem seus ouvidos atentos àquela música de potencial subversivo e transformador. Começou com uma fita do conterrâneo Raul Seixas que o pai, músico, tocava no seu bar. Passou pelos Beatles e Elvis, ouvidos em casa pela mãe. E chegou aos decibéis de Faith No More, Nirvana e Metallica, contrabandeados com algum inevitável atraso para Porto Seguro por amigos, justo quando ela entrava na adolescência – fase crítica e decisiva, em que começava a alçar vôo na vida. Pitty se lembra bem: 'aquela música casou com o meu estilo de espírito na época. Eu estudava em escola particular e não tinha luxo em casa. Via as meninas com roupas de grife e não entendia como a imagem poderia ser algo tão importante. Isso me levou a me questionar e me convencer de que o melhor era ser eu mesma'. Décadas e tantos depois, a convicção ainda está lá em Admirável Chip Novo. 'Ninguém merece ser só mais um bonitinho', canta Pitty em "Máscara", uma das faixas mais pesadas do disco, digna de um álbum do Helmet. Bonita como uma estrela teen, mas com tatuagens, piercings e vestidos pretos que dariam muito assunto num papo com Phil Anselmo (Pantera), a cantora se sustenta no cenário com som, atitude e discurso. Forma e conteúdo se unem no trabalho dessa pequena notável (Pitty foi o apelido que a menina Priscila ganhou por causa da estatura), disposta a mostrar que o tabuleiro da baiana tem muito mais coisas do que a nossa vã imaginação poderia sacar. Na adolescência em Salvador, a espevitada cantora integrou a banda de hardcore Inkoma, que lançou fita demo, participou de coletâneas e lançou no ano de 2000 o CD Influir. 'E o que impressionava não era o fato de eu ser menina, mas o nosso som, que era muito tosco. É claro, porém, que rolavam algumas piadinhas', diz Pitty, que se beneficiou de uma cena roqueira que na época abria brechas no sufoco axé de Salvador, de bandas como Lisergia, Dois Sapos e Meio, The Dead Billies e Brincando de Deus. Mas como tudo na vida, o Inkoma acabou. Atropelada pelos acontecimentos, Pitty foi à luta. Aprendeu a tocar violão, foi estudar música na escola da Universidade Federal da Bahia (onde Tom Zé, em outros tempos, teve suas lições de música atonal com o maestro Hans-Joachim Koellreutter) e começou a compor. As letras vieram dos diários que mantinha desde a infância – com eles, por sinal, que ela começou a se alfabetizar. Sem a menor das expectativas, numa tarde vazia, Pitty recebeu um telefone do produtor Rafael Ramos (de discos de Los Hermanos, Raimundos, João Donato, Video Hits, entre outros), que era um dos sócios do Tamborete, selo que lançara o disco do Inkoma. Informado de que ela compunha para um possível trabalho solo, Rafael pediu uma fita com as músicas em voz e violão. E o resto...o resto ainda há de ser história. Para gravar Admirável Chip Novo no Rio, nos estúdios Tambor, sob o comando de Rafael, Pitty carregou dois dos melhores músicos de rock de Salvador: o guitarrista Peu (do Dois Sapos e Meio) e o baterista Duda (do Lisergia), que tiveram até um grupo juntos, o Diga Aí Chefe. Com punch e categoria instrumental, eles ajudaram a cantora a moldar aquilo que define como 'um apanhado sonoro' de tudo que ouviu na vida. "Teto De Vidro" ('Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra') abre o disco com pulsação metal, indignação punk e uma feminilidade que irá surpreender muita gente. Sem refresco, entra em seguida a também pesada faixa-título que Pitty não esconde, é mesmo inspirada pelo livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, um dos escritores favoritos dessa rata de sebo fissurada por ficcção científica. Bombardeada de manhã cedo na internet por todo tipo de mensagem publicitária, Pitty anteviu um mundo em que as pessoas haviam se tornado robôs – e só ela era capaz de ver a verdade sobre a dominação, como se fosse o herói do filme Matrix. Já o filósofo inglês Thomas Hobbes é a referência de outra pedrada do disco, "O Lobo" ('o homem e o lobo do homem'). E um conto de Edgar Allan Poe, sobre a possibilidade de se fazer parar o tempo, deu a partida para a épica "Temporal", faixa que acabou ganhando uma roupagem a altura das suas intenções: violoncelo de Jacques Morelembaum, violão de Moska e violino de Ricardo Amado, num arranjo cheio de arabescos de Jota Moraes, que não deixa nada a dever a um 'Disarm' dos Smashing Pumpkins ou mesmo um 'Kashmir' do Led Zeppelin. Apesar de estar cheio de músicas fortes, como "Só De Passagem", "Semana Que Vem", "Emboscada" e "Do Mesmo Lado", Admirável Chip Novo abre espaço para Pitty se aventurar numa power balada, "Equalize", que teve a participação do mutante Liminha no baixo, (nas outras faixas, o instrumento foi tocado pelo onipresente Dunga). Mais uma vez, surpresa: diferentemente de um exemplar comum desse gênero popularizado por Kiss, Scorpions e Bon Jovi, o romantismo não é sinônimo de baba. Ao contrário: o componente mais forte da música é o erótico, expresso em delicadas metáforas. 'Não fiz uma música sobre amor, mas sobre sexo', entrega Pitty. Algo que certamente Avril Lavigne não escreveria por conhecer ainda pouco da vida, e Alanis Morissette por estar mais preocupada em ser zen. Mas Pitty, como de costume, não está nem aí para as comparações. E nem pensa muito no futuro, bem ao estilo Kurt Cobain – o que importa é que o trabalho está feito. 'Tudo pode mudar. Eu pulei do penhasco e não sei se o pára-quedas vai abrir. Mas se não abrir, também, tudo bem', diz.

Vou abrir o tópico musica, falando de uma das mentes mais brilhantes, uma das melhores cantoras que o País já teve e que lidera a melhor banda de Rock do Brasil na atualidade, diante do lixo que surge diariamente nas rádios: Priscilla Novaes Leone, Pitty para os fãs!!!O Rock nacional estava adormecido diante de tantas bandinhas genéricas e similares (Detonautas, CPM, Charlie Br). Conterrânea do “Pai do Rock Nacional”, Raul Seixas, Pitty se destacou no underground de Salvador com sua Banda de estilo Hardcore Inkoma, sempre com músicas de protesto. Diante do seu talento, que em pouco tempo ultrapassou as fronteiras da Bahia, foi convidada pelo amigo e produtor Rafael Ramos, já que o sua antiga banda havia acabado, para gravar um CD, agora já com nome Pitty, dando nome também a banda. Junto com outros músicos de grande destaque no cenário do Rock de salvador, Joe, Duda e primeiramente Peu e atualmente Martin, estava formada a Banda que iria novamente acordar o Rock nacional com algo de diferente. Admirável Chip Novo, lançado em 2003, cujo nome foi baseado no livro de Aldous Huxley, “Admirável mundo novo” (por curiosidade, até peguei o livro pra ler, mas parei antes da décima pagina. É muito chato, só mesmo a Pitty para entender e tirar algo de bom!!!). Com letras que falam sobre varias temáticas, misturado com um som pesado com pulsação metal, indignação punk, e a voz incomparável de Pitty, o CD foi sucesso de critica e em vendas, alcançando a marca de 250 mil copias. Quando alguns ainda chegaram a pensar que era só mais um fenômeno passageiro, surge em 2005 o segundo CD. Anacrônico, com um som ainda mais pesado, incluindo distorções de guitarras e com a qualidade “Pitty 9001” nas letras.Acostumada sempre a nadar contra a maré, desde quando sendo mulher, resolveu fazer rock na Bahia, Pitty contraria até o ditado popular que diz que o que é bom dura pouco.Veio o terceiro CD, e como quem sabe faz ao vivo (a Pitty que o diga) {Dês}Concerto ao vivo, gravado em 2007 no Citibank Hall, em São Paulo, com o melhor dos dois primeiros álbuns, mais “Seu Mestre Mandou”, sempre cantada em shows, e duas novas, “Malditos Cromossomos” e o grande sucesso “Pulsos” Esse foi só um resumo de mais de dez anos em 36 linhas. Eu termino por aqui, mas pra alegria geral dos fãs, a Pitty continua!!! O quarto CD, com musicas inéditas deve ser lançado em 2009

Depois de fazer um show para mais de 20 mil pessoas no parque Hopi Hari, no interior de São Paulo, Pitty falou à imprensa sobre seus projetos e contou um pouquinho de sua intimidade. A Atrevidinha estava lá e conferiu tudo!
Carreira A cantora está em estúdio e seu novo trabalho deve chegar às lojas só em agosto. Enquanto isso, ela viaja pelo Brasil todo fazendo shows. E não pára por aí. Pitty foi convidada a fazer três apresentações nos Estados Unidos. "Vamos começar uma carreira internacional. Mas posso garantir que estamos mais preocupados com nosso país. Gostamos de cantar e de saber que as pessoas estão entendendo o que falamos", diz.
FãsEla adora tocar para seu público jovem. "Eles são mais verdadeiros que os adultos. São diretos e transmitem a leveza de quem tem esperança na vida", defende. Pitty conta que faz o possível para responder aos e-mails de fãs e que tem um carinho especial por todos os que acompanham sua carreira. "Alguns já viraram família, pois estão com a gente desde o primeiro show", conta. A cantora diz que não se incomoda com as fãs que tentam imitar seu visual. "Sei FOTO: DIVULGAÇÃO Pitty já está em estúdio gravando seu segundo CD. As fãs podem se preparar: muito rock'n'roll vem aí! que muitas meninas se espelham em mim, mas isso não me incomoda. É só uma fase e vai passar. Sou só um caminho para elas chegarem a elas mesmas", filosofa.
AdolescênciaPitty lembra que o período não foi dos mais fáceis. "Eu me olhava no espelho e achava tudo horrível, ninguém me entendia, o mundo era cruel. Com o tempo, vi que não era bem assim", confessa. Na época, ela curtia a geração grunge e seu ídolo preferido era Mike Patton, do Faith No More. Decidiu ser cantora aos 14 anos, depois de escutar uma música do Biafra. "Tudo o que eu queria era saber cantar como ele", lembra.
SonhoNo começo da carreira, a musa pensou várias vezes em desistir e tentar outras profissões. "Cheguei a pensar que não ia rolar", lembra. Ainda bem que ela foi persistente! Pitty e a banda ralaram dez anos antes de estourar! Mas a baianinha conta que desde o princípio já imaginava como deveria ser emocionante tocar para uma platéia enorme, como a que a aplaudiu no show do Hopi Hari, na cidade de Vinhedo, em São Paulo. E garante que a realidade é ainda melhor do que os seus sonhos. "Viver esse momento é muito especial. Bem mais do que eu pensei", diz. Mas Pitty não se considera realizada com tanto sucesso. "Ainda tenho milhões de coisas para alcançar. Se não fosse assim, acho que nem teria motivos para continuar vivendo", conta.
LetrasPitty garantiu que a letra de Equalize não conta um romance vivido por ela. Discreta, ela apenas disse que, de vez em quando, aproveita uma ou outra experiência sua e a transforma em canção. "Mas não componho muito sobre o tema. Escrevo quando pinta uma idéia. Posso estar lendo gibi no banheiro, vendo um filme ou tocando com a banda em estúdio", conta.

Mas como tudo na vida, o Inkoma acabou. Atropelada pelos acontecimentos, Pitty foi a luta. Aprendeu a tocar violão, foi estudar música na escola da Universidade Federal da Bahia (onde Tom Zé, em outros tempos, teve suas lições de música atonal com o maestro Hans-Joachim Koellreutter) e começou a compor. As letras vieram dos diários que mantinha desde a infância " com eles, por sinal, que ela começou a se alfabetizar. Sem a menos das expectativas, numa tarde vazia, Pitty recebeu um telefonema do produtor Rafael Ramos (de discos de Los Hermanos, Raimundos, João Donato, Vídeo Hits, entre outros), que era um dos sócios da Tamborete, selo que lançara o disco do Inkoma, informado de que ela compunha para um possível trabalho solo, Rafael pediu uma fita com as músicas em voz e violão. E o resto... o resto ainda há de ser história.Para gravar Admirável Chip novo no Rio, nos estúdios Tambor, sob o comando de Rafael, Pitty carregou dois dos melhores músicos de Rock de Salvador: o guitarrista Peu (do Dois Sapos e Meio) e o baterista Duda (do Lisergia), que tiveram até um grupo juntos, o Diga aí Chefe. Com punch e categoria instrumental, eles ajudaram a cantora a moldar aquilo que define como "um apanhado sonoro" de tudo que ouviu na vida. "Teto de Vidro" ("quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra") abre o disco com pulsação mental, indignação punk e uma feminilidade que irá surpreender muita gente. Sem refresco, entra em seguida a também faixa-título, que Pitty não esconde, é mesmo inspirada pelo livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, um dos escritores favoritos dessa rata de sebo fissurada por ficção científica. Bombardeada de manhã cedo na internet por todo tipo de mensagem publicitária, Pitty anteviu um mundo em que as pessoas haviam se tornado robôs " só ela era capaz de ver a verdade sobre a dominação, como se fosse herói do filme Matrix. Já o filósofo inglês Thomas Hobbes é a referência de outra pedrada do disco, "O Lobo" ("o homem é o lobo do homem"). E um conto de Edgar Allan Poe, sobre a possibilidade de se fazer parar o tempo, deu a partida para a épica "Temporal", faixa que acabou ganhando uma roupagem a altura de suas intenções: violoncelo de Jacques Morelembaum, violão de Moska e violino de Ricardo Amado, num arranjo cheio de arabescos de Jota Moraes, que não deixa nada a dever a um "Disarm" dos Smashing Pumpkins ou mesmo "Kashmir" do Led Zeppelin.Apesar de estar cheio de músicas fortes, como "Só de Passagem", "Semana que Vem", "Emboscada" e "Do Mesmo Lado", Admirável Chip Novo abre espaço para Pitty se aventurar numa power balada, "Equalize", que teve a participação do mutante Liminha no baixo, (nas outras faixas, o instrumento foi tocado pelo onipresente Dunga). Mais uma vez, surpresas: diferentemente de um exemplar comum desse gênero popularizado por Kiss, Scorpions e Bom Jovi, o romantismo não é sinônimo de baba. Ao contrário: o componente mais forte na música é o erótico, expresso em delicadas metáforas. "Não fiz uma música sobre amor, mas sobre sexo", entrega Pitty. Algo que certamente Avril não escreveria por conhecer ainda pouco da vida, e Alanis por estar mais preocupada em ser zen. Mas Pitty, como de costume, não está nem aí para as comparações. E nem pensa muito no futuro, bem ao estilo Kurt Cobain " o que importa é que o trabalho está feito. "Tudo pode mudar. Eu pulei do penhasco e não sei se o pára-quedas vai abrir. Mas se não abrir, também, tudo bem," diz.

Pitty, moça saída de Salvador, era outrora apelidada de Madá pelas amigas por causa de seus cabelos excessivamente longos. Em 2006 a Pitty excursionou país adentro e ganhou, no VMB, os prêmios de melhor clipe de rock, melhor site, vocalista da banda dos sonhos (assim como em 2005) e, sua especialidade, a escolha da audiência. Tocou no Planeta Atlântida, em Florianópolis, para cerca de 40 mil pessoas. Esteve em todas as paradas de todas as rádios de todas as cidades deste país e os adolescentes cantavam os versos de suas músicas.
Seu primeiro disco, Admirável Chip Novo, lançado em 2003, vendeu 250 mil cópias e começou a chamar a atenção com “Máscara”, aquela do “O importante é ser você, mesmo que seja bizarrô”, que grudou na cabeça de todo mundo pelo menos uma vez na vida. Pitty confessa que faria tudo diferente. Em 2004, antes de ser esse fenômeno todo, venceu artistas como O Rappa e Sepultura na sua segunda vez no páreo desses prêmios de música brasileira com o clipe de “Equalize”. Graças à voz do povo – Pitty sempre ganhou por escolha da audiência. Pitty foi escolhida pelos leitores da BIZZ artista do ano e “Memórias”, do álbum Anacrônico (2005), a música do ano.
Pitty é uma espécie de Ivete Sangalo da Galeria do Rock, cativando a todos, mas sem ser amiga da Xuxa nem fazendo aparições públicas vergonhosas. Existia uma grande lacuna de uma mulher que não fosse delicadinha-inha nem uma dessas que forçam o ser sexy até cansar.
Faltava uma mulher que gritase depois de Cássia Eller, e a Pitty não é estrela. Nem quer ser. Pitty não é a voz da nova geração. Nem quer ser.
“Estou sempre mudando. Estou sempre diferente, sou muito inquieta. Mas às vezes olho pra mim e continuo sendo a mesma menina que curte fazer coisas simples, ir para a balada tomar cerveja com meus amigos sossegada, ir ao cinema, cuidar dos meus gatos, da minha casa. Isso são coisas que não mudam.”
Ela anda pela rua e conversa com as meretrizes. Ela gosta das baladas alternativas, onde tocam bandas alternativas e rock alternativo. A Augusta é o novo reduto dela.
“Tive muita sorte, eu podia ter me dado muito mal. Me arrisquei com várias posturas que tomei, do tipo o cara me chamar pra fazer playback na maior emissora do Brasil e eu dizer não. Algumas vezes, claro, fiz coisas que não achava tão incríveis, mas visando a algo que era incrível. Tudo tem seu preço e, pra mim, bastava ver se aquilo não era uma ofensa grave a mim mesma, se não estava indo de encontro às coisas em que acreditava.”
*** Leia a matéria na íntegra na revista BIZZ 209, já nas bancas! ***
Desde a infância em Porto Seguro que ela tem seus ouvidos atentos àquela música de potencial subversivo e transformador. Começou com uma fita do conterrâneo Raul Seixas que o pai músico, tocava no seu bar.Passou pelos Beatles e Elvis, ouvidos em casa pela mãe. E chegou aos decibéis do Faith No More, Nirvana e Metallica, contrabandeados com algumatraso para Porto Seguro por amigos, justo quando ela entrava na adolescência.Pitty se lembra bem: “aquela música casou com meu estado de espírito na época. Eu estudava em escola particular e não tinha luxo em casa. Via as meninas com roupa de grife e não entendia como a imagem poderia ser algo tão importante. Isso me levou a me questionar e me convencer de que o melhor é ser eu mesma”.
Ninguém merece ser mais um bonitinho”, canta Pitty em “Máscara”.Pitty foi o apelido que a menina Priscila ganhou por causa da estatura.Na adolescência em Salvador, a espevitada cantora integrou a banda de hardcore Inkoma, que lançou fita demo, participou de coletâneas e lançou, no ano de 2000, o CD Influir.
“E o que impressionava não era o fato de eu ser menina, mas o nosso som, que era muito tosco. É claro porém, que rolavam algumas piadinhas”, diz Pitty.O Inkoma acabou.
Aprendeu a tocar violão, foi estudar música na escola da Universidade Federal da Bahia (onde Tom Zé, em outros tempos, teve suas lições de música atonal com o maestro Hans-Joachim Koellreutter) e começou a compor.As letras vieram dos diários que mantinha desde a infância; com eles, por sinal, que ela começou a se alfabetizar.Sem a menos das expectativas, numa tarde vazia, Pitty recebeu um telefonema do produtor Rafael Ramos(de discos de Los Hermanos, Raimundos, João Donato, Vídeo Hits, entre outros), que era um dos sócios da Tamborete, selo que lançara o disco do Inkoma, informado de que ela compunha para um possível trabalho solo, Rafael pediu uma fita com as músicas em voz e violão.
Pitty carregou dois dos melhores músicos de Rock de Salvador: o guitarrista Peu (do Dois Sapos e Meio) e o baterista Duda (do Lisergia), que tiveram até um grupo juntos, o Diga aí Chefe. Com punch e categoria instrumental, eles ajudaram a cantora a moldar aquilo que define como “um apanhado sonoro” de tudo que ouviu na vida.“Teto de Vidro”(”quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra”) abre o disco com pulsação mental, indignação punk e uma feminilidade que irá surpreender muita gente.
Sem refresco , entra em seguida a também faixa-título, que Pitty não esconde, é mesmo inspirada pelo livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, um dos escritores favoritos dessa rata de sebo fissurada por ficção científica. Bombardeada de manhã cedo na internet por todo tipo de mensagem publicitária, Pitty anteviu um mundo em que as pessoas haviam se tornado robôs “só ela era capaz de ver a verdade sobre a dominação, como se fosse herói do filme Matrix.Já o filósofo inglês Thomas Hobbes é a referência de outra pedrada do disco, “O Lobo” (”o homem é o lobo do homem”).E um conto de Edgar Allan Poe, sobre a possibilidade de se fazer parar o tempo, deu a partida para a épica “Temporal”, faixa que acabou ganhando uma roupagem a altura de suas intenções: violoncelo de Jacques Morelembaum, violão de Moska e violino de Ricardo Amado, num arranjo cheio de arabescos de Jota Moraes, que não deixa nada a dever a um “Disarm” dos Smashing Pumpkins ou mesmo “Kashmir” do Led Zeppelin.Apesar de estar cheio de músicas fortes, como “Só de Passagem”, “Semana que Vem”, “Emboscada” e “Do Mesmo Lado”, Admirável Chip Novo abre espaço para Pitty se aventurar numa power balada, “Equalize”, que teve a participação do mutante Liminha no baixo, (nas outras faixas, o instrumento foi tocado pelo onipresente Dunga).Mais uma vez, surpresas: diferentemente de um exemplar comum desse gênero popularizado por Kiss, Scorpions e Bom Jovi, o romantismo não é sinônimo de baba.Ao contrário: o componente mais forte na música é o erótico, expresso em delicadas metáforas.“Não fiz uma música sobre amor, mas sobre sexo”, entrega Pitty.Algo que certamente Avril não escreveria por conhecer ainda pouco da vida, e Alanis por estar mais preocupada em ser zen.Mas Pitty, como de costume, não está nem aí para as comparações.E nem pensa muito no futuro, bem ao estilo Kurt Cobain “o que importa é que o trabalho está feito. “Tudo pode mudar.Eu pulei do penhasco e não sei se o pára-quedas vai abrir.Mas se não abrir, também, tudo bem,”diz.


Após sofrer aborto, Pitty mudou sua concepção sobre a maternidade
12/02/2009 em Mídia, Sofrimento, aborto, maternidade, músicas, vida por Gabriel Resgala 4 comentários, Clique aqui para comentar!
Ela é símbolo de atitude para muitos jovens, e prega principalmente a autonomia de pensamento frente às ideologias que a sociedade tenta nos impor. Em uma entrevista feita em dezembro para o canal Multishow, a cantora Pitty deu um pequeno depoimento sobre a tragédia pessoal que foi ter passado por um aborto espontâneo, mesmo em se tratando de uma gravidez não planejada. “A forma que eu encontrei pra não me transformar numa bêbada, drogada e sofredora por causa do que tinha acontecido comigo foi enfiar a cara no trabalho”, diz. A partir da experiência, Pitty, que antes dizia não querer ter filhos, revelou ter mudado seu ponto de vista sobre ser mãe:
“Mudei porque eu descobri uma coisa que eu não sabia. Eu descobri uma sensação que eu não sabia que existia, e que você só consegue saber quando você passa. Foi muito pouco, mas já deu pra sacar, já deu pra entender a dimensão que aquilo pode vir a ter. Uma sensação de plenitude, de vida, como você nunca teve antes, sabe, como nada pode te proporcionar aquilo.
Mas foi bom, foi bom por esse lado, porque agora eu sei que eu quero. E agora virou uma questão de honra e, sabe, daqui a um tempo me agüenta com seis filhos! (risos) Vou sair pra tocar e vai ter que ter um berço em cada canto!… (risos)”
Para além de encarar a maternidade como um simples projeto de vida individual e plenamente controlado, a fala de Pitty parece indicar um contato com o chamado “mistério” que envolve a situação de ser mãe (algo que “você só consegue saber quando você passa”, como disse), e um forte desejo de se envolver neste mistério. E ela fala de si mesma durante a gestação não como uma “futura” mãe, mas como alguém que, de certa forma, já era mãe, mesmo estando grávida de apenas três meses. Não parecia falar daquilo como uma ilusão, um sentimento devido somente à expectativa do que viria a acontecer, mas como uma experiência real, profundamente marcante: “Foi muito pouco, mas já deu pra sacar, já deu pra entender”. A ponto de vivenciar no aborto um sofrimento sem precedentes.
Em outra entrevista, concedida algum tempo antes da gravidez, a roqueira havia se declarado a favor da descriminalização do aborto provocado, a partir dos argumentos geralmente levantados por quem defende esta bandeira (liberdade de escolha, saúde pública, Estado laico, etc). Nesta entrevista mais recente, ela revela, contudo, que ainda tem muito o que refletir sobre o que lhe ocorreu. Ainda não se sabe se Pitty chegou rever sua posição quanto ao aborto provocado, mas uma coisa é certa: a experiência de uma gravidez não-planejada seguida de um aborto espontâneo marcou profundamente sua concepção sobre o assunto, a ponto de mudar completamente seus planos de vida, desejar ter vários filhos por “uma questão de honra”. Resta-nos esperar para ver o que virá da mente existencialmente livre de Pitty – e, sobretudo, aproveitar para refletirmos, nós mesmos, sobre isso tudo…
Ao som de Ira! e Pitty – “Eu quero sempre mais”
“mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei”…
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Ateu é contra aborto?

Besouros: Sua banda anterior era o Inkoma, que acabou, e depois disso você começou a compor sozinha. Por que a banda acabou? Quando começou a compor novas músicas, você já estava pensando em um projeto solo, ou nova banda? Pitty: O Inkoma acabou porque cada um tava a fim de fazer uma coisa, foi bem natural. A gente nem chegou a decretar o fim da banda, foi indo... Aí eu fiquei compondo mas sem objetivo específico, só porque eu não conseguia parar de compor. Besouros: Quando você foi ao Buzzina Mtv, o assunto do dia era, Abuso Sexual Infantil, e você disse que quando era pequena sofreu insinuações por parte de uma empregada. E não se intimidou em falar no tema. Você também usa sua música para desabafar certos sentimentos presos? Pitty: Hoje em dia muito mais. E cada vez mais. Na verdade eu entendi que só dá pra falar com propriedade de você mesmo, de seus próprios sentimentos. Funciona meio que como um divâ, um desabafo. Besouros: O que quer passar com as letras? Pitty: Não existe um objetivo pensado de passar alguma coisa. São observações e críticas pessoais, e sentimentos pessoais que as pessoas acabam se identificando. Tem muita gente, que assim como eu, vive perplexa e questionando esse caos que nos cerca. Talvez por isso acabe refletindo a sensação de outras pessoas. Besouros: Pra você quem se destaca no Rock Nacional hoje em dia? O que anda escutando no geral? Pitty: As bandas que eu mais gosto do Brasil infelizmente pouca gente conhece. Me amarro em Matanza, Jason, Nancyta e os Grazzers, Zambotronic, Cachorro Grande, The Honkers, Nitrominds... dos mais conhecidos acho o D2 uma cara muito talentoso, e Nação Zumbi uma banda admirável. Besouros: A internet e os mp3s que se espalham na rede, pra quem já tem uma boa divulgação na TV e Rádio, atrapalha, ou ajuda ainda mais? O que acha da onda do mp3? Pitty: Acho ótimo, a informação tem que circular, mesmo. A internet é hoje uma grande aliada nesse sentido, é agil e movimenta muita coisa. Só ajuda. Besouros: Dentro do Rock, como define o som da banda? Pitty: É rock com rock. Rolam umas pitadas de hardcore, metal, punk, new wave,jazz... Besouros: O que acha da comparação com outras cantoras, na maioria com um som bem mais pop? Falta oportunidade para bandas de rock com vocal feminino, ou é difícil para qualquer banda que está começando? Pitty: Além de ser difícil pra quem tá começando (tudo bem, eu tô \\\" começando\\\" a dez anos...), não existem outros referenciais, então a mídia, que acha que tem que oferecer tudo sempre bem mastigado, compara com o que tem na mão. Isso não me surprrende, eu já imaginava. Besouros: Hoje em dia há mais cds lançados no mercado independente, do que em grandes gravadoras. O que falta para as gravadoras investirem em novas bandas? Ou é as bandas que estão se acomodando no cenário underground? Pitty: Geralmente quando se faz parte de uma grande gravadora são feitas algumas concessões por parte das bandas. E ninguém quer fazer concessões. Até porque não existe mais dinheiro na parada, então as bandas resolveram mandar um belo foda-se pra esse tipo de corporação. Agora, é fundamental ter uma parceria pra divulgar o trampo senão a coisa não anda. Pra mim a melhor opção hoje em dia é uma gravadora independente, como é o caso da Deck. Um lugar aonde vc pode fazer o seu som sem pressão, e aonde os caras tem alguma estrutura pra investir nisso. Por que as vezes rolam um selos e são bacanas, e você faz o som que você quer... mas não rola uma divulgação legal, e o disco não chega em lugar nenhum. Ou seja, não resolve. Mas já é uma vitória, dá esperança ver tantos selos e gravadoras independentes lançando bandas legais, e comprometidas com seu som, e não só com mercado, rádio, etc... Besouros: Fora a música tem algum hobbie? O que gosta de fazer nas horas vagas? Pitty: Gosto de ler, cinema, comer, beber... Besouros: O que essencial para ser uma boa banda? O que é um boa banda pra você? Pitty: Uma boa banda é aquela em que os músicos estão conectados por algo mágico, sublime, e a energia que circula no palco é extraterrena. Aonde todos estão completos por estarem tocando aquela música. É entrega. Besouros: Muito obrigado pela entrevista. Desejo sucesso pra você, e para a banda! Deixe uma mensagem para quem conhece e gosta da banda, ou tem interesse de conhecer! Pitty: Que é isso! Valeu você por ter nos cedido esse espaço, e boa sorte por aí. A todos que estão lendo, sorte, e rock. Que a boa música do nosso páis seja cada vez mais forte.

Eu esqueci de comentar sobre a Pitty. Aquela menina que anda atraindo a atenção nas rádios rock hoje em dia (tanto para o bem quanto para o mal).
Quando ouvi pela primeira vez “Máscara” - a música de trabalho de seu primeiro álbum, achei estranho, bizarro (dã). Gostei do som, até gostei da letra, a voz é legal, mas a junção de tudo me soou estranho. Ouvi de novo. E mais uma vez. E a infeliz impregnou. Quando dei por mim, estava cantando e tudo. Er… não é essa justamente a intenção de uma música de trabalho?
Assisti sua entrevista no Jô. Pitty falou, mostrou-se articulada, culta, usou outro tom de voz (bem mais agradável) para cantar outras coisas (bem mais interessantes).
Como as comparações são inevitáveis, a moça tem sido submetida ao confronto Alanis Morissette e Avril Lavigne entre outras.
Aí pensei na Alanis que canta seus dramas sentimentais misturados aos acordes de guitarra e é idolatrada mundialmente. E eu adooro Alanis.
Ouvi o primeiro álbum do Los Hermanos e gostei bastante, mas achei que seria apenas mais uma bandinha-de-uma-música-só quando emplacou “Anna Júlia” e que os meninos estariam fadados ao esquecimento. Eu estava errada (ainda bem!)
E Pato Fu? Quando “Depois” começou a tocar nas rádios há uns anos atrás, achei a música fofinha e cantei até encher o saco. Pouca gente (inclusive eu) sabia que a banda já tinha outros quatro álbuns nas costas.
Ouvi mais umas músicas e o álbum seguinte. Fiquei com um certo nojinho. Pensava: “ô, bandinha mala“. Um tempão depois é que fui ouvir com mais cuidado os outros álbuns, fiquei ligadona numa música e outra e pronto, gostei.
E assim vai. Fases boas, ruins, álbuns ótimos, outros nem tanto. Opiniões que divergem o tempo todo sobre uma coisa e outra. E o que seria do amarelo se todos gostassem do azul? Também tem a história do falem mal, mas falem de mim.
E eu não sou como o meu padrinho que é louco por Beatles e James Bond e acha que todo e qualquer trabalho - seja da banda ou da série de filmes - é incontestavelmente maravilhoso. Se o meu filho nascer feio, eu vou saber! :o))
Nossa… mas aonde foi mesmo que eu comecei? Ah, sim. Na Pitty.
Pra finalizar, se é que você teve saco de ler até aqui, eu ainda não ouvi “Admirável Chip Novo“, mas não vou fazê-lo já pensando na decepção. Ao contrário, acho até que vem coisa boa por aí.
PITTY NOS TE AMAMOS ♥

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